O escândalo do Banco Master ganha ainda mais visibilidade internacional após reportagem publicada pelo The Economist, nesta semana, que explora as implicações da liquidação do banco sobre o sistema financeiro do Brasil, além das conexões políticas de Daniel Vorcaro, dono do Master.
De acordo com a matéria, que fez uma linha do tempo desde os primeiros indícios até a tentativa de venda do Master para o Banco de Brasília (BRB), as investigações sobre o Master expuseram muito mais do que as fraudes no crescimento exponencial do banco.
O jornal afirma que as relações entre políticos e grandes nomes do sistema financeiro com Vorcaro também estão sob os holofotes e essas ligações “prejudicaram a reputação do Supremo Tribunal Federal e do Congresso brasileiro”.
Contornos políticos
A reportagem ainda afirmou que a trama ganhou mais contornos políticos a partir da liquidação do Master, em novembro, com a aproximação do membro do Tribunal de Contas da União, Jhonatan de Jesus, e do ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, sobre o caso. O The Economist também menciona a defesa da aquisição do Master pelo BRB feita por Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal.
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O texto mostrou um contrato de US$ 24 milhões entre o banco de Daniel Vorcaro e um escritório de advocacia comandado pela esposa de Alexandre de Moraes, afirmando que “a vagueza do contrato e os valores elevados envolvidos ‘não são normais’ para os padrões brasileiros”. Além disso, reuniões e telefonemas entre o ministro do STF e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central foram citadas, enfatizando que Moraes e sua esposa negaram irregularidades.
Segundo o The Economist, o cenário também não é favorável para o ministro do STF Dias Toffoli. De acordo com a reportagem, o ministro viajou em um jato particular com um advogado do Master no mesmo período em que foi sorteado para ser relator do caso.
A análise realizada pelo The Economist diz que essas conexões “reforçaram, entre o eleitorado brasileiro, a percepção de que a mais alta corte do país carece de imparcialidade”.
Para o jornal, Gabriel Galípolo, que “resistiu às pressões para salvar o banco”, é o maior beneficiado dos escândalos das investigações. O texto ainda enfatizou as movimentações do presidente do Banco Central pedindo mais autonomia administrativa e financeira para a instituição.
“Isso daria à instituição poderes mais robustos de supervisão sobre o sistema financeiro e maior proteção contra as manobras políticas de Brasília”, finalizou o The Economist.
Fonte: BNews