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“A partir de 2028, a carga tributária deve aumentar consideravelmente para as empresas de serviços”, revela o consultor econômico da Fecomércio BA

A Casa do Comércio, em Salvador, sediou na manhã desta quinta-feira (29) um evento promovido pela Fecomércio Bahia (Fecomércio-BA) para debater as perspectivas econômicas de 2026 e os efeitos da reforma tributária aprovada no país. O encontro reuniu empresários, imprensa e representantes do setor de comércio, serviços e turismo.

O painel contou com a presença do gerente executivo de análise e desenvolvimento econômico e estatístico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, do consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, do coordenador da Câmara de Assuntos Tributários da Fecomércio-BA, Sérgio Couto, além de Kelsor Fernandes, presidente do Fecomércio-BA.

Durante o evento, os participantes destacaram que o conjunto de medidas que começa a ser aplicado em 2026 representa uma fase de transição, marcada por aprendizado e adaptação das empresas.

“Este é um ano de desafios e aprendizado. A reforma tributária começou em 1º de janeiro e estamos em uma fase de teste, com alíquota simbólica de 1%. Não haverá cobrança de novos tributos por enquanto, mas o período será fundamental para que empresários e consumidores entendam o impacto da reforma na dinâmica de preços”, explicou Sérgio Couto.

O coordenador disse ainda que os impactos reais começarão a ser sentidos a partir de 2027, quando as novas alíquotas entrarem em vigor. “Será essencial compreender esse novo modelo, pois estamos mudando significativamente a tributação sobre o consumo”, completou.

O consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, também apontou que o setor de serviços será o mais afetado pela mudança. “A partir de 2028, a carga tributária deve aumentar consideravelmente para as empresas de serviços, que já enfrentam custos elevados. Ao contrário da indústria, esse segmento tem baixo potencial de gerar crédito tributário na cadeia produtiva, o que pode reduzir a capacidade de investimento e de contratação”, avaliou.

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Dietze recomendou que os empresários antecipem o planejamento tributário para reduzir riscos. “É importante conversar com contadores e advogados tributaristas agora, e não esperar até 2028. O planejamento antecipado será essencial para entender onde cada negócio se encaixa e reduzir o impacto no ambiente empresarial”, alertou.

Mesmo com o cenário de adaptações, o consultor avaliou que a Bahia mantém desempenho econômico positivo, com previsão de crescimento de 2,5% em 2026, impulsionado principalmente pelos setores de comércio e turismo. “A Bahia está bem colocada no ranking nacional. O estado vem crescendo forte e deve registrar alta de 4% neste ano, após expandir 9% em 2025. O turismo segue batendo recordes de chegada de visitantes, o que movimenta toda a cadeia produtiva, do artesanato à hospedagem”, destacou Dietze.

Fonte: BNews