Blog Rádio Peão

“Bolsonaro não surgiu do nada, assim como Trump”, dispara Wagner Moura sobre relação entre Brasil e Estados Unidos

O ator baiano Wagner Moura, indicado ao Oscar por sua atuação no filme brasileiro “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, concedeu entrevista à revista americana Variety, publicada nesta quinta-feira (29), na qual voltou a criticar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por envolvimento em uma trama golpista, e traçou um paralelo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

📲 Clique aqui e leia a última matéria da coluna de cultura!

Ao ser questionado sobre o maior equívoco dos americanos em relação aos costumes e atitudes dos brasileiros, Wagner afirmou que a imagem positiva do país convive com contradições históricas e sociopolíticas profundas

“A imagem alegre é precisa: o calor humano, a cultura, a música, a comida, a melhor comida de todas. Mas o Brasil também foi o último país a abolir a escravidão. A desigualdade é enorme. O poder é concentrado. O Brasil é complexo. Como disse Tom Jobim, o Brasil não é para iniciantes. Bolsonaro não surgiu do nada, ele reflete o país, assim como Trump reflete os Estados Unidos”, declarou.

O ator também comentou a forma como a democracia é encarada nos Estados Unidos, comparando a reação institucional americana aos ataques ao regime democrático com a resposta brasileira aos atos golpistas.

“Quando eu estava fazendo ‘Guerra Civil’, eu pensava constantemente em como o Brasil reagiu de forma diferente à nossa insurreição, de uma forma melhor do que vocês, porque o Brasil foi rápido em fazer a coisa certa e mandar a mensagem de que não se mexe com a democracia. Nós prendemos pessoas. Bolsonaro está preso”, afirmou.

📲 Clique aqui e inscreva-se no canal do BNews no Youtube!

Wagner Moura criticou ainda o que considera uma falta de firmeza das instituições americanas: “Nos Estados Unidos, é como se estivessem testando os limites, como uma criança, eles pensam ‘vou fazer isso’, e se não houver reação, o que acontece? Sinto que os EUA e suas instituições não estão respondendo com a firmeza necessária, não estabelecendo limites, não fazendo com que as pessoas enfrentem as consequências”, concluiu.

Fonte: BNews