O diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Francisco Schertel Mendes, se tornou vice-presidente da federação de futebol do Mato Grosso (MT) no mês passado.
Filho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi eleito em uma chapa liderada por um assessor de deputado estadual que presidia o tribunal desportivo local e surgiu inicialmente como terceira via.
A briga pelo controle da Federação Matogrossense de Futebol (FMF) foi influenciada ainda por Luís Otávio Veríssimo, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Advogado, Veríssimo foi secretário-geral da Câmara sob a presidência de Arthur Lira (PP-AL) e chegou à presidência da Corte desportiva superior com o apoio do grupo que controla a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O peso da confederação também influenciou o pleito em favor do grupo vencedor. As informações são do Estadão.
A família Mendes tem origem e negócios no Mato Grosso, mas Francisco vive e trabalha em Brasília. Nos documentos da inscrição da chapa na entidade sediada em Cuiabá (MT), o filho de Gilmar Mendes informou o endereço na capital federal, a mais de mil quilômetros da capital mato-grossense.
A presidência da FMF será exercida pelo advogado Diogo Amorim Pécora, que desde janeiro de 2025 era assessor de gabinete na Assembleia Legislativa do deputado Chico Guarnieri (PRD), com salário de R$ 12 mil, e presidia o Tribunal de Justiça Desportiva do Mato Grosso.
Procurado para dar entrevista, ele marcou e desmarcou duas vezes. Luís Otávio Veríssimo e Francisco Schertel Mendes também não quiseram dar entrevistas.
A uma rádio local, Pécora, de 35 anos, confirmou seu “alinhamento com a CBF” e disse que todas as suas decisões serão “colegiadas com o nosso grupo que foi montado e com a participação de todos os vices”.
A sete dias da eleição, realizada em 2 de dezembro, Pécora esteve com o presidente da CBF, Samir Xaud, em São Paulo, e saiu do encontro dizendo que tinha o apoio do chefe da confederação.
“Conseguimos receber e fidelizar o apoio do Samir para um projeto de renovação que será implementado na Federação Mato-grossense, seguindo a linha que ele vem fazendo a nível de Brasil, com muita capacidade, qualidade, mudando de fato a cara do futebol brasileiro”, disse à imprensa local.
A estreia do filho de Gilmar Mendes como dirigente de federação, subordinado a um desconhecido presidente e com o apoio do grupo majoritário da CBF, é mais um capítulo da aproximação do IDP com a entidade máxima do futebol que começou em agosto de 2023.
Naquele mês, foi fechado um contrato de dez anos para a instituição gerir a CBF Academy, braço da confederação que oferece cursos de formação e profissionalização no futebol.
Coube a Francisco Mendes a assinatura do contrato com o então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. O filho do ministro vem exercendo cada vez mais influência nos bastidores da CBF, segundo uma série de relatos colhidos pela reportagem.
Fonte: BNews