A resistência feminina no Baixo Sul da Bahia é marcada pelo protagonismo de mulheres negras, quilombolas, marisqueiras, pescadoras e agricultoras familiares. Elas atuam coletivamente para garantir a soberania alimentar, o direito à terra, a preservação de saberes ancestrais e o enfrentamento à violência de gênero e ao racismo estrutural.
E são essas histórias e legados que estão levando a Bahia para além das fronteiras nacionais e que compõem o projeto da pesquisadora e educadora Daiana da Silva da Paixão, apresentado e debatido no Doutorado em Ciências Empresariais e Sociais, pela UCES, na Argentina.
“Como nos provoca Djamila Ribeiro, é preciso romper com os silêncios impostos e compreender que lugar de fala também é lugar de produção de conhecimento. Já Conceição Evaristo nos ensina que a escrita de mulheres negras é escrevivência: nasce da vida, da dor, da memória e da resistência. E Carolina Maria de Jesus prova, com sua força brutal e sensível, que mesmo quando tentam nos negar o direito à palavra, seguimos escrevendo, ainda que seja à margem. Na Argentina, este projeto é sob a orientação da querida Dra. Gabriela Gomez Rojas, que acolheu e acreditou neste tema tão necessário. E, no Brasil, a professora e doutora Célia Sacramento me direcionou neste grandioso trabalho que reflete a história das mulheres guerreiras do Baixo Sul da Bahia”, esclarece Daiana.
A educadora aborda as histórias corajosas dessas mulheres baianas, levando-as para além das fronteiras nacionais sob o olhar da cultura feminina. Ela pesquisa, em seu trabalho, a escrita feminina invisibilizada no direito, na gestão e na sociedade, como ferramenta de transformação social, a partir do Projeto Pare e Escreva e das vozes femininas e resistentes do Baixo Sul da Bahia. “Falar de mulheres é incalculável.Falar de escrita feminina é tocar a origem do mundo. Antes do papel, antes dos livros, as mulheres já escreviam”, arremata a nordestina Daiana da Paixão.
Fonte: BNews