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Bolsonaro desiste de Eduardo embaixador e defende que o filho pacifique o PSL

Presidente Jair Bolsonaro falou com a imprensa na chegada ao Hotel Imperial, em Tóquio, no Japão.

O presidente Jair Bolsonaro verbalizou, enfim, uma decisão que já tomou há algum tempo: desistiu da indicação de seu filho Eduardo para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. A amigos, já havia dito que não submeteria “o menino a esse constrangimento”, referindo-se à sabatina e a possível derrota na votação no Senado. O termômetro, que nunca foi extremamente favorável, esfriou no último mês, apesar de todo o empenho, inclusive pessoal, do presidente. 

“Obviamente, isso o Eduardo vai ter de decidir nos próximos dias, talvez antes de eu voltar ao Brasil. No meu entender, [o mais estratégico] é ele ficar no Brasil, até para pacificar o partido e ver o que pode catar de caso, porque teve gente que foi para o excesso”, afirmou Bolsonaro em rápida entrevista à imprensa no Japão. O presidente está em viagem oficial à Ásia e ao Oriente Médio. 

O desejo de indicar o filho como embaixador nos EUA – que Bolsonaro manifestou assim que o filho completou a idade exigida para postulantes ao cargo, 35 anos – sempre foi visto com ressalva no Senado. Desde que a indicação se tornou pública, ainda em junho, os parlamentares confessaram preocupação e desconforto. O Planalto entrou em ação com negociações de cargos, que envolviam ofertas de cadeiras em órgãos cujo orçamento total ultrapassa R$ 2,5 bi na previsão deste ano

Nem assim aliados, como o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), dava a vitória de Eduardo como certa. “A sabatina vai ser fundamental. Você pode dar o placar como equilibrado neste momento”, afirmou ao HuffPost há duas semanas. 

O barco afundou de vez

A embaixada em Washington é considerada o cargo máximo da diplomacia brasileira, ocupado, em geral, por quadros técnicos e de carreira. Esse foi o primeiro entrave ao nome do filho do presidente. Desde 1966, apenas funcionários de carreira ocuparam o cargo. 

Contudo, as articulações do Planalto vinham surtindo efeito até meados de agosto. Com o fogo que atingiu a Amazônia, o desgaste se ampliou. Houve ainda a penúltima visita que Eduardo fez aos Estados Unidos, no fim de agosto, quando se reuniu com o mandatário norteamericano, Donald Trump, para falar sobre a situação na região amazônica. O ato foi visto como “arrogante pelos senadores.

Seguiram-se as manifestações constantes nas redes sociais, avaliadas por muitos parlamentares e no Itamaraty como “polêmicas demais para alguém que quer exercer um cargo desses”. O barco do filho 03 de Jair Bolsonaro afundou de vez com a crise no PSL.

Em uma articulação liderada por seu pai, Eduardo se viu derrotado na tentativa de alcançar a liderança do partido na Câmara na semana passada. “Se não consegue nem a liderança da legenda, não se garante em casa, imagina o cargo de embaixador”, afirmou uma fonte do Itamaraty. Até mesmo entre aliados a derrota – que ocorreu num momento de ânimos exaltadíssimos na sigla, foi a água que faltava para acabar de vez com as pretensões do deputado federal. 

No fim das contas, na segunda (21), o pretenso embaixador acabou alçado à liderança do PSL na Câmara, mas após então ocupante do cargo, Delegado Waldir (GO), desistir do posto. Ele porém, terá que enfrentar o grupo que se tornou rival na legenda ainda, que vai tentar destituí-lo em breve. 

Entre senadores e diplomatas, que viram no último mês as chances de Eduardo Bolsonaro se esvairem de vez, há a avaliação de que esse racha no PSL foi a “desculpa perfeita” que o presidente procurava para “voltar atrás sem admitir uma derrota”. 

Como fica a Embaixada do Brasil nos EUA

Ao recuar da indicação de Eduardo, Bolsonaro retoma uma questão: quem colocar na cadeira, vaga desde abril, quando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, removeu do cargo o diplomata Sérgio Amaral. Quem tem exercido a função até o momento é o encarregado de negócios, Nestor Forster. 

Este último foi o nome defendido por Ernesto desde o início para o comando da Embaixada, mas foi vencido pelo desejo de Bolsonaro de colocar o filho na vaga. Agora, com Eduardo enfraquecido, o mandatário admite a possibilidade de oficializar Nestor Forster na vaga. 

“Nós temos lá o Nestor Forster. Ele é um bom nome. Obviamente, o Eduardo desistindo que eu mande o nome dele ao Senado, tendo em vista a importância na política dentro do partido, o Forster é um bom nome para ser considerado lá”, disse Bolsonaro no Japão. 

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