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Investigados por cobrarem propinas em obras em rodovias do AP viram réus na Justiça Federal

Ex-gestores e empresários são suspeitos de manterem esquema. Obras não eram fiscalizadas como deveriam, segundo a PF. Operação Pedágio foi deflagrada em junho. Polícia Federal durante a operação Pedágio, realizada em junho
PF/Divulgação
Investigados na Operação Pedágio, deflagrada em junho pela Polícia Federal (PF), viraram réus na ação penal que tramita na Justiça Federal. Dois ex-gestores e dois empresários são suspeitos de manter um esquema de corrupção no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá, com cobrança de propina em obras de rodovias federais.
Os réus são Odnaldo Oliveira, superintendente do Dnit na época da investigação, e que foi exonerado logo após a operação; Fábio Vilarino, ex-titular do departamento; e ainda dois empresários. Os dois ex-gestores do Dnit seguem presos desde o dia da operação.
A defesa de Fábio Vilarinho disse que aguarda o julgamento de dois habeas corpus que estão na segunda instância da Justiça Federal. A Rede Amazônica não conseguiu falar com a defesa dos demais citados.
A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi aceita pelo juiz Jucélio Flaury Neto, que considerou que os fatos são graves e devem ser esclarecidos em audiência, com o depoimento de testemunhas, exposição de documentos e escutas telefônicas.
A operação apurou o desvio de recursos de contratos para manutenção de estradas de terra. Segundo o MPF, os gestores do Dnit cobravam propina para liberar os pagamentos, e em troca, não faziam a fiscalização para saber se os serviços foram realmente prestados.
Operação Pedágio
O esquema teria iniciado em 2015. Durante buscas em junho, policiais apreenderam seis carros de luxo e mais de R$ 60 mil em espécie. Foram bloqueados R$ 22 milhões em patrimônio dos investigados.
A PF detalhou que os servidores cobravam de 3% a 5% do valor das faturas para realizar a liquidação das mesmas e, além disso, havia a cobrança de cerca de 1% do valor de todas as faturas para atestar a regularidade das obras.
Ainda conforme a polícia, as fiscalizações do órgão não eram efetivas nas obras em que havia pagamento de propina. A PF não detalhou quais eram essas obras afetadas pelo esquema criminoso.
Sobre a deflagração da “Pedágio”, o Dnit divulgou nota na época na qual informava que o órgão se colocou à disposição das autoridades para esclarecer os fatos e que o superintendente foi afastado das funções.
Em julho, o juiz federal Hilton Sávio Gonçalo destacou que Oliveira “tinha plena ciência dos crimes que eram cometidos” e “asseverou que iria passar o recado para as empresas de que, por conta própria, poderiam continuar recolhendo as propinas”.
Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.
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