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Laudo aponta vazamento de esgoto como fator de risco de novo desabamento na Avenida Niemeyer

Segundo técnicos, despejo de dejetos promove “saturação hídrica do solo, o que, neste estado, confere baixa resistência a seu estado natural de equilíbrio”. Deslizamento de terra na Avenida Niemeyer.
Reprodução / TV Globo
O laudo que determina a não reabertura da Avenida Niemeyer, fechada desde 28 de maio, aponta um fator importante para a decisão recomendada pelos técnicos: o vazamento de esgoto doméstico de imóveis localizados na encosta do Vidigal mantém a terra do local úmida e, por consequência, torna possível a ocorrência de novos deslizamentos.
Em vários momentos do estudo, os engenheiros manifestam, por meio da utilização de expressões variadas, preocupação com o despejo de dejetos na área e suas possíveis consequências: “Esgoto ativo na encosta”, “Despejo de esgoto de casas ainda não demolidas”, “Despejo de esgoto das casas existentes acima”, “Despejo de esgoto ativo na encosta”, “Contribuição de esgoto doméstico” e “Despejo de esgoto doméstico na área afetada”.
O estudo mostra que esses vazamentos saem de casas construídas em locais regulares e irregulares, nas partes mais elevadas da encosta.
No levantamento, os técnicos mencionam “A existência de contribuição de esgoto doméstico neste corpo, pela observação na chegada à Avenida Niemeyer de água turva com odor característico de despejo doméstico”.
Na página 33 do laudo, os peritos descrevem o problema da umidade do solo causada pelo vazamento.
“Ainda existem contribuições de esgoto doméstico neste Ponto 1 da encosta, como já indicado no item anterior, notadamente na parte alta do escorregamento, onde se encontra grande parte do solo sobre rocha com umidade elevada, o que foi causa do afundamento na lama por parte da equipe dos Peritos do Juízo quando na incursão realizada. Neste sentido, restou caracterizada, em diversos pontos, a saturação hídrica do solo, o que neste estado, confere baixa resistência a seu estado natural de equilíbrio”.
Na página 41 do documento, os especialistas descrevem a existência de “pontos de despejo de esgoto doméstico na área afetada, mantendo a umidade em alguns locais da área de escorregamento”.
Obras
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (SMIH) garantiu que já faz a colocação de drenos profundos com extinção de despejo de esgoto, desmonte de blocos de rocha, restabelecimento do sistema de drenagem, canalização de águas pluviais, limpeza da região e instalação de cortinas atirantadas.
O órgão também informou que 17 de 30 casas construídas em área de risco já foram demolidas – os moradores desses imóveis foram cadastradas no Auxílio Habitacional Temporário e passaram a receber o Aluguel Social no valor de R$ 400.
Ainda de acordo com o órgão, as famílias desalojadas e desabrigadas do Vidigal foram abordadas pelas equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, que ofereceram acolhimento nas unidades da Secretaria. No entanto, afirmou a SMIH, nenhuma delas quis ir para os abrigos e preferiram ficar na casa de amigos e parentes.
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