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Moro diz que não tev motivação política para condenar Lula na Lava Jato

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, negou motivações políticas em sua atuação como juiz na Operação Lava Jato

“Quando proferia a decisão de 2017 não tinha o menor contato com o atual presidente Jair Bolsonaro”, afirmou em resposta ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (19), em referência à condenação do ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, em julho de 2017.

Até receber o convite para integrar o governo de Jair Bolsonaro, Moro era responsável pelos julgamentos relativos às investigações no esquema de corrupção, na 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR), inclusive pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em janeiro de 2018. Em setembro, o registro de candidatura de Lula foi negado pela Justiça Eleitoral, com base na Lei da Ficha Limpa. À época, ele estava à frente de Bolsonaro na corrida presidencial.

De acordo com o ministro, o convite para ser titular da pasta da Justiça foi feito por intermédio do ministro da Economia, Paulo Guedes. Moro disse que encontrou Bolsonaro em 1º de novembro de 2018, quando o convite foi formalizado.

O ex-magistrado disse que não conhecia o atual presidente. Ele relatou apenas um “encontro casual, salvo engano, em 2016” em um aeroporto. “Encontrei rapidamente e cumprimentei”, disse.

Segundo Moro, o propósito de fazer parte do governo é continuar o combate à corrupção. “Trabalhamos 5 anos nessa operação anticorrupção. Fui atacado cotidianamente por aqueles que não queriam qualquer mudança no padrão de impunidade da corrupção. Sempre ficou uma sombra de retrocesso de que um dia haveria uma virada de mesa e tudo que havia sido feito seria perdido. Vi no convite [para ser ministro] uma oportunidade de consolidar avanços anticorrupção e avançar no que se refere ao combate ao crime organizado e crimes violentos”, disse.

O ministro não respondeu se houve combinado prévio com Bolsonaro para indicá-lo para uma futura vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Em maio, o presidente disse que assumiu esse compromisso com Moro. Na época, o ex-juiz negou qualquer acordo nesse sentido.

Defensores de Lula acusam o ex-magistrado de ter atuado para evitar a eleição do petista. Na próxima terça-feira (25), o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar pedido de liberdade do ex-presidente, com base na suspeição do ex-juiz.

Em fevereiro deste ano, o petista também foi condenado, em primeira instância, pela juíza Gabriela Hardt, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia.

Líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE) defendeu que Moro deixe a Esplanada dos Ministérios após o vazamento de supostas mensagens com procuradores da Lava Jato. “Tenha a humildade de pedir demissão do Ministério da Justiça. Não cabe ser chefe da Polícia Federal. Peça desculpas por ter cassado o voto de milhões de brasileiros que queriam eleger outro presidente da República, que está preso em Curitiba”, disse.

Nos diálogos divulgados pelo Intercept, atribuídos a Moro e integrantes do Ministério Público, o então juiz orientou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima a “editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento” dado por Lula no processo do tríplex do Guarujá “com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele”. “Por que a Defesa já fez o showzinho dela”, afirmou Moro. No dia seguinte, os procuradores divulgaram uma nota, em que expunham contradições do depoimento de Lula.

Os diálogos também mostram que o então magistrado não se arrependeu da divulgação de áudio em que a então presidente Dilma Rousseff oferece o cargo de ministro da Casa Civil a Lula, no que seria uma tentativa de evitar o avanço das investigações sobre ele, devido a uma eventual mudança de foro.

“Não me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim”, escreveu Moro a Dallagnol em 22 de março, segundo as mensagens divulgadas.

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