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PIB cresce 0,6% no terceiro trimestre e mostra recuperação gradual da economia

Índice foi puxado pelo consumo das famílias. Setor da economia com o melhor desempenho foi a agropecuária, que avançou 1,3%. PIB cresce 0,6% no terceiro trimestre e mostra recuperação gradual da economia
O IBGE divulgou nesta terça (3) o PIB do terceiro trimestre de 2019. O resultado mostrou uma recuperação gradual da economia, pouco acima do que se esperava.
A liberdade de escolher o próprio horário de trabalho. A vida sem patrão tem muito valor para o José Francisco Penna. Mas, por falar em valor, hoje ele trocaria essa liberdade por um emprego formal.
“As contas chegam do mesmo jeito, conseguindo um trabalho que me desse uma renda maior seria tentador”, disse o entregador.
Onze trimestres de recessão, de 2014 a 2016, jogaram a economia brasileira lá para baixo. Mesmo depois de reencontrar o caminho do crescimento, a escalada tem sido lenta e sofrida. O esforço do José Francisco simboliza os avanços e os limites dessa retomada.
Assim como a bicicleta do entregador, a economia brasileira andou para a frente no terceiro trimestre. O PIB, que é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos pelo país, cresceu 0,6% no período de julho, agosto e setembro em relação ao trimestre anterior.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2018 a distância percorrida foi ainda maior: crescimento de 1,2%. O valor total do PIB superou R$ 1,8 trilhão.
Um dos principais fatores que impulsionaram o PIB foi o consumo das famílias: cresceu 0,8%. Um número que, segundo os economistas, depende do emprego para poder crescer.
“A gente vê uma recuperação muito ainda gradual do emprego formal. Ou seja, os postos de trabalho ainda são muito focados, dependentes da informalidade. Isso faz que a renda das famílias ainda cresça muito pouco. Então, isso limita também o potencial de crescimento do consumo das famílias”, disse a Economista da FGV Silvia Matos.
O setor de serviços, que impulsiona as entregas, cresceu 0,4% no trimestre. Mas o setor da economia com o melhor desempenho está bem longe desse trânsito. Foi a agropecuária, que avançou 1,3%.
A indústria cresceu 0,8%, impulsionada pela construção civil e pela indústria extrativa, principalmente a exploração de petróleo.
O crescimento do setor imobiliário também se reflete na chamada formação bruta de capital fixo, um número que representa os investimentos privados. O crescimento foi de 2%
Já o consumo do governo caiu 0,4%.
As exportações também tiveram impacto negativo no PIB, caíram 2,8%.
Com esse cenário externo negativo, os economistas apontam o consumo interno como o caminho possível para manter o crescimento.
“Mesmo com a fraqueza do mercado de trabalho, ele vem mostrando alguma melhora do emprego formal, algum crescimento da renda ainda muito baixo, mas ainda vindo um pouquinho melhor e a inflação também ficou muito benigna nesse terceiro tri. Então, isso também ajudou um pouco o poder de compra das famílias e o crédito também está mostrando uma recuperação gradual”, explicou Silvia.
Devagar, mas sempre adiante. Se pudesse acelerar, José Francisco já saberia onde instalar o motor.
“Na economia, na economia, porque na bicicleta a é bom, a gente vai mantendo no pedal. Na economia tem que botar um turbo.”
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