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Reforma da Previdência escancara a velha forma de fazer política

Uma das sessões do Senado que votou a reforma da Previdência.

Desde as manifestações de 2013 um novo cenário político tem se formado no País. A insatisfação com a forma de fazer política no Brasil tem impulsionado a sociedade a buscar mais qualidade no serviço público e uma maior representatividade. As eleições de 2018 apenas evidenciaram a desconfiança e o descontentamento da população com a política e a qualidade das entregas dos serviços prestados pelo Estado.

A política brasileira sempre foi conhecida pela relação de troca entre Congresso e governo, na qual o primeiro detém grande poder de decisão e o segundo destina os recursos. O famoso “toma lá, dá cá”. Vale ressaltar que esse tipo de relação existe em qualquer democracia no mundo, em menor ou maior grau, e não há problema quando acontece dentro dos limites legais e morais.

No entanto, justo quando vemos um movimento de mudança de paradigma e o Poder Legislativo se impõe como uma casa de debate e ideias, percebemos que a antiga faceta da relação entre o governo e o Congresso ganha força: os interesses próprios sobressaindo aos interesses públicos e republicanos.

A votação da reforma da Previdência foi um claro exemplo dessa situação. Por mais polêmico que possa parecer, a luta por um Brasil mais justo está intrinsecamente ligada à aprovação da reforma. As mudanças na Previdência Social são fundamentais não apenas para acabar com os privilégios de uma minoria que recebe de cinco a dez vezes mais que a média dos trabalhadores brasileiros, mas para a construção de um País melhor e de um Estado eficiente.

A Câmara dos Deputados entendeu a importância do tema para sociedade e desempenhou seu papel de representantes do povo discutindo em diversas instâncias o mérito da proposta apesar de toda a desarticulação política do governo.

A expectativa era que o mesmo acontecesse no Senado e a discussão sobre a reforma ganhasse ainda mais corpo e contribuísse para o desenvolvimento de um Estado melhor. Mas não foi isso que aconteceu. Em uma provocação mesquinha ao governo, grupos majoritários no Senado deixaram a discussão sobre o que propõe a reforma em segundo plano, adiando a pauta e permitindo a sua defasagem, mesmo quando favoráveis.

Apesar de o texto ter sido aprovado na primeira votação, um destaque retirou as mudanças sugeridas para o abono salarial proposto pela senadora Eliziane Gama (Cidadania – MA), o que representou um impacto de aproximadamente R$ 80 bilhões de economia em dez anos.

O fato é que os senadores não estão satisfeitos com a articulação do governo dentro da casa e nem com a disposição de recursos para o Legislativo e usaram a reforma para barganhar. Em outubro, por exemplo, o Congresso Nacional deu aval para um projeto enviado pelo governo que abre crédito extra de R$ 3,041 bi no Orçamento, facilitando o pagamento de emendas parlamentares.

Apesar da partilha dos recursos não atender a vontade inicial do governo, a aprovação da pauta arrefeceu os ânimos dos senadores que, no 1º turno, foram claros em mostrar o desagrado ante à postura do governo com os parlamentares.

O fato é que a sociedade brasileira está cansada desta velha forma de se fazer política. E, se não tivermos líderes representantes responsáveis e com atitude republicana, que visem ao desenvolvimento da democracia em prol do bem comum, a credibilidade da Casa ficará ainda mais arranhada, e o resultado das decisões será o oposto do que o País precisa.

Teremos políticas públicas mal debatidas e encaminhadas, e uma população cada vez mais distante do poder Legislativo, o pilar central de qualquer democracia. Precisamos de um novo jeito de se fazer política, o jeito certo.

Este artigo é de autoria de articulista do HuffPost e não representa ideias ou opiniões do veículo. Assine nossa newsletter e acompanhe por e-mail os melhores conteúdos de nosso site.

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