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‘Veja’ publica reportagem sobre porteiro que citou Bolsonaro no caso Marielle

Porteiro disse à polícia que um dos suspeitos do assassinato pediu para ligar para a casa 58, do então deputado Jair Bolsonaro. Segundo ‘Veja’, ele não quis falar sobre o caso. ‘Veja’ publica reportagem sobre porteiro que citou Bolsonaro no caso Marielle
A revista Veja publicou nesta sexta-feira (8) informações sobre o porteiro que citou o nome do presidente Jair Bolsonaro em depoimentos à polícia.
A revista Veja desta semana traz uma reportagem em que descreve as atividades do porteiro que citou o nome do presidente Jair Bolsonaro em depoimento à polícia do Rio no caso dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A revista foi até a comunidade em que ele mora.
Nos dois depoimentos que deu aos investigadores, o porteiro disse que, horas antes do crime, Élcio Queiroz, um dos suspeitos do assassinato, chegou ao condomínio Vivendas da Barra e pediu para ligar para a casa 58, onde morava o então deputado federal Jair Bolsonaro. O porteiro afirmou à polícia que a voz que atendeu o interfone era de “seu Jair”.
No dia do crime, como informou o Jornal Nacional de terça-feira (29), Jair Bolsonaro estava em Brasília e não no Rio, o que contrariava o depoimento do porteiro. Quando foi questionado pela Veja, o porteiro disse que não queria falar sobre o caso. Segundo a revista, ele é sempre visto a caminho da igreja e é considerado por vizinhos e parentes como uma pessoa discreta.
Ainda de acordo com a Veja, o porteiro e outras pessoas da família que vivem no mesmo prédio estariam acuados depois de toda a repercussão do caso. Segundo a Veja, moradores do condomínio levantaram a hipótese de que o porteiro que prestou depoimento tenha sido pressionado por Ronnie Lessa a citar o nome do presidente Bolsonaro à polícia. Lessa, miliciano, teria influência na comunidade em que reside o porteiro.
A reportagem também encontrou outro porteiro que estaria trabalhando no condomínio naquele dia. Segundo a revista, ele reconheceu a própria voz no arquivo de áudio divulgado por Carlos Bolsonaro e pelas promotoras do caso, avisando que Élcio Queiroz iria para a casa de Ronnie Lessa, outro suspeito pelos assassinatos de Marielle e Anderson.
O funcionário disse que não lembra quem era o porteiro que trabalhava com ele naquele dia nem se estava dentro da cabine de entrada ou na cancela do condomínio, que são os dois locais onde os porteiros trabalham no condomínio.
O colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, já havia publicado esta semana a informação de que a voz do áudio não era a voz do porteiro do depoimento. A TV Globo não divulga nomes dos porteiros por questões de segurança.
A Defensoria Pública do Rio informou, nesta sexta (8), que vai cuidar da assistência jurídica do porteiro que deu os depoimentos à polícia, e que, por enquanto, não vai se manifestar sobre o caso.
Mais cedo, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, voltou a defender que a investigação continue sendo conduzida pela Polícia Civil.
“Eu acredito que a federalização do crime é, como eu disse antes, não é a mais adequada porque a Polícia Civil do Rio de Janeiro não sofre qualquer tipo de pressão, não sofre qualquer tipo de interferência política. Eu assumi o compromisso ao extinguir a Secretaria de Segurança Pública, dar independência à Polícia Civil. Então, não se pode fazer nenhuma interferência. E eu acredito que a polícia do Rio de Janeiro tem todas essas qualificações hoje para poder continuar a investigação do crime”, defendeu.
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