Sem categoria

OMS considera os distúrbios do sono uma epidemia global que afeta a saúde mental da população mundial; veja números

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera os distúrbios do sono uma epidemia global que afeta a qualidade de vida de 45% da população mundial. No Brasil, 1/3 das pessoas sofre de insônia e outros problemas correlatos, como a apneia obstrutiva do sono, condição que pode provocar paradas na respiração durante o descanso, aumentando o risco de doenças metabólicas, neurodegenerativas e transtornos mentais.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) sinalizou que 8,5% dos brasileiros relataram uso recente (nas duas semanas anteriores à pesquisa) de medicamentos indutores do sono, correspondendo a cerca de 17 milhões de pessoas adultas. Mulheres, idosos e portadores de doenças crônicas mostraram os índices mais altos de utilização.​

Os Benzodiazepínicos (como clonazepam e diazepam), com aumento de, aproximadamente, 9,8% no consumo entre 2019 e 2020. Fato interessante é que no Nordeste houve um aumento na compra de benzodiazepínicos de até 22,5%.​ Além dos benzodiazepínicos, o uso das Drogas Z (como zolpidem, zopiclona e zaleplona), tem crescido rapidamente, inclusive com relatos de uso recreativo e abuso, especialmente entre adultos jovens.​ A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou que as vendas de zolpidem ultrapassaram 20 milhões de caixas anuais desde 2021, após um aumento de 71% entre 2018 e 2020. O Ministério da Saúde classificam o fenômeno como uma “epidemia de uso abusivo” no país, que tem impacto direto nas doenças psicológicas e emocionais, como depressão e ansiedade.

Na busca por um tratamento integral, que associe técnicas no combate à insônia e às enfermidades mentais, a Bahia saiu na frente, com o Serviço da Medicina do Sono, pioneiro no Brasil, implantado e oferecido na Clínica Holiste Psiquiatria, sediada em Salvador. De acordo com Kayo Barboza, médico psiquiatra que coordenada o serviço, o descanso exerce papel central na regulação emocional e nos processos cognitivos, que são elementos fundamentais para o sucesso do restabelecimento dos pacientes com transtornos psíquicos. Entretanto, até hoje, tal método nunca foi utilizado para diagnóstico, cuidado e acompanhamento de distúrbios psicológicos.

Ao introduzir o Serviço de Medicina do Sono no tratamento de problemas mentais, a clínica utiliza a polissonografia como um exame que permite identificar padrões de sono alterados e que estão frequentemente associados a transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, biopolaridade e esquizofrenia. “Os estudos sinalizam que a normalização da arquitetura do sono auxilia na melhora do humor e de sintomas ansiosos, além de impactar positivamente também a resposta ao tratamento medicamentoso”, esclarece o responsável pelo serviço na Holiste.

Segundo o especialista, a análise e a intervenção terapêutica dos distúrbios do sono podem facilitar significativamente o manejo de problemas relacionados à saúde mental, uma vez que o sono é um marcador biológico sensível às funções cerebral e emocional que, normalmente, costumam estar alteradas nos transtornos mentais. “Muitas vezes, mudanças no padrão de sono são os primeiros sinais de sofrimento psíquico, permitindo uma detecção precoce de transtornos mentais. Além disso, alguns distúrbios do sono podem agravar o quadro psicológico, o que torna fundamental um tratamento especializado do sono nesses pacientes”, ressalta o médico.

Dessa forma, com o objetivo de otimizar a recuperação, o Serviço de Medicina do Sono proporciona comodidade ao paciente ao realizar os exames durante a internação psiquiátrica. Isso permite diagnóstico e tratamento imediatos sem necessidade de deslocamentos, aumentando a adesão e impulsionando o tratamento. Além disso, a clínica oferece um ambiente confortável, seguro e acolhedor, com estrutura hospitalar moderna e equipe multidisciplinar integrada.

Dr. Kayo Barboza revela ainda que o serviço provoca efeitos positivos profundos e em longo prazo na saúde mental dos pacientes ao restaurar a qualidade e a arquitetura normal do sono, promovendo melhora do humor, da ansiedade e também de sintomas físicos, resultando em benefícios na qualidade de vida e na redução do risco de recaídas. ​ “É preciso destacar que um sono equilibrado melhora funções cognitivas como memória, atenção e concentração, potencializando a resposta às terapias em saúde mental”, salienta.​

Indicações

“A polissonografia possibilita um diagnóstico preciso, permitindo a identificação de problemas que comprometem o sono e intensificam sintomas mentais. Com base nesses dados, o tratamento não invasivo pode ser ajustado de forma personalizada e integrada, favorecendo a melhora global do sono e da saúde emocional, aliando tecnologia de ponta, expertise psiquiátrica e uma equipe multiprofissional”, esclarece o médico responsável pelo serviço de Medicina do Sono.

O exame é indicado sempre que houver alterações significativas no padrão de sono da pessoa e, de forma geral, a polissonografia não apresenta contraindicações absolutas, uma vez que é um exame não invasivo. Ele é indicado, principalmente, para pessoas que sofrem de múltiplos despertares, sonolência diurna, insônia resistente a tratamentos convencionais, parassonias (sonambulismo, terror noturno…), distúrbios do movimento durante o sono e em casos de ronco. “Situações em que o paciente não tolera os dispositivos de monitoramento ou possui condições clínicas específicas que impeçam a realização segura do exame podem requerer uma avaliação mais detalhada”, explica o especialista da Clínica Holiste Psiquiatria.

Vale salientar que o exame é realizado em ambiente controlado, geralmente durante a noite, conduzido por uma equipe de enfermagem e técnicos especializados, sob supervisão do médico psiquiatra. Barboza ainda pontua que os sensores são posicionados no paciente para registrar as atividades fisiológicas durante o sono. A duração típica é de uma sessão noturna, podendo ser repetida conforme necessidade do caso.

Notícias relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close
Close