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URGENTE: Vorcaro pagou fortuna em projeto eólico de ex-ministro de Bolsonaro
Uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, adquiriu 90% de um projeto de energia eólica pertencente ao ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que integrou o governo Jair Bolsonaro. A revelação foi feita em uma reportagem do UOL, nesta quinta-feira (29).
De acordo com a publicação, a negociação foi fechada em fevereiro de 2024, pouco mais de um ano após Faria deixar o cargo, e incluiu a entrega de um apartamento avaliado em cerca de R$ 50 milhões, em São Paulo. Meses depois, o imóvel foi revendido por R$ 54 milhões.
Pela legislação brasileira, ex-ministros são classificados como pessoas politicamente expostas (PEP) por até cinco anos após o fim do mandato. A transação, por si só, não é ilegal. Contudo, normas do Coaf determinam atenção especial a operações financeiras envolvendo esse tipo de agente público.
Apesar de o contrato prever a cessão das quotas, dois anos após o acordo a operação ainda não foi registrada oficialmente. A empresa associada a Vorcaro não consta como sócia na Junta Comercial nem nos registros da Receita Federal. A Sociedade de Propósito Específico criada para o projeto, a Fazenda São Pedro Geradora de Energia SPE, segue formalmente apenas no nome de Fábio Faria, com capital social declarado de R$ 1.000.
Além disso, o projeto enfrenta entraves técnicos. Localizado no Rio Grande do Norte, estado de origem do ex-ministro, o empreendimento previa geração inicial de 240 megawatts, mas não há capacidade na rede elétrica local para escoar essa energia. Sem infraestrutura de transmissão e sem previsão de ampliação, o negócio perdeu atratividade no mercado. Antes de fechar com Vorcaro, Faria teria buscado outros investidores, sem sucesso.
A negociação foi formalizada por meio da empresa Super Empreendimentos e Participações, apontada em investigações da Procuradoria-Geral da República como instrumento usado para desviar patrimônio do Banco Master em favor de Vorcaro. À época, a Super era comandada por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. Zettel chegou a ser preso e depois solto durante a Operação Compliance Zero. Segundo documentos apresentados, foi ele quem conduziu as etapas finais do acordo com o ex-ministro.
Em nota, Fábio Faria afirma que a venda ocorreu quando ele já atuava exclusivamente no setor privado e que não houve qualquer contato com a empresa compradora durante seu período como ministro. Sustenta que o projeto estava em estágio avançado de maturação, com estudos técnicos, licenças e avaliações de mercado, e que o valor negociado foi referendado por auditoria posterior. O ex-ministro também declara que todas as obrigações fiscais foram cumpridas e que não existe sociedade pessoal entre ele e pessoas físicas fora do quadro societário da empresa compradora, limitando-se a relação à participação minoritária na SPE.
Fonte: BNews
